domingo, 12 de julho de 2009

Foi Apenas Um Sonho, Richard Yates

Capítulo 01
"Os sons finais e agonizantes do ensaio geral deixaram os atores
do Grupo de Teatro Laurel sem mais o que fazer senão ficar ali,
calados e imóveis, piscando os olhos diante das luzes do palco e do auditório vazio. Mal ousavam respirar, enquanto a figura diminuta e solene do diretor emergia dentre os assentos desocupados para se juntar à trupe no palco, arrastando uma escada dos bastidores e subindo alguns degraus para dizer-lhes, pigarreando várias vezes, que eram um grupo supertalentoso, um grupo maravilhoso com o qual se trabalhar."

Autor: Richard Yates
Tradutor: José Roberto O Shea
Editora: Alfaguara Brasil
312 pág.




A vantagem de se ver uma obra adaptada nos cinemas é saber que, inevitavelmente, para nossa sorte, sua obra original será lançada ou relançada. Seja ela livro, quadrinho ou, as vezes, até mesmo em filme.

É uma pena que grandes escritores fiquem fadados a ver uma adaptação de sua obra para, finalmente, observar a difusão de sua obra pelo mundo. Felizmente uma obra lançada que seja bem vendida pode ser o fôlego necessário para continuar futuros lançamentos.

Foi Apenas Um Sonho, é um desses romances escondidos que, graças a uma adaptação, chega as livrarias brasileiras. Escrito por Richard Yates, elogiado pela crítica, vencedor de vários prêmios, mas que nunca chamou a atenção de um público amplo, a trama situa-se em 1955, no casal Frank e April.

E na figura do casal que aparentemente é feliz que Yates irá desenvolver todo um argumento sobre a infelicidade da América, na época pós guerra, onde o consumismo e o estilo de vida americano davam o ar da graça. Com sua escrita corrosiva, o autor disseca um relacionamento, sempre dando ao leitor a imagem perfeita que eles imaginavam e a verdade cruel da realidade.

Tanto o título original, Revolutionary Road, Rua da Revolução, Rua Revolucionária, quanto seu título em português, Foi Apenas Um Sonho, carregam uma boa quantia de ironia e buscam chamar o leitor.

Na contra capa da edição da Alfaguarra, há um comentário de que a obra pode ser O Grande Gatsby da geração. Pode não ser para tanto, mas a narrativa é estupenda e merece a leitura.


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