domingo, 1 de agosto de 2010

Desculpa Se Te Chamo de Amor, Frederico Moccia

"No início você sentará um pouco longe de mim, assim, na grama. Eu olharei para você com o canto dos olhos e você não dirá nada. As palavras são uma fonte de mal-entendidos. Mas a cada dia você poderá se sentar um pouco mais perto… Se você vier, por exemplo, todas as tardes, as quatro, a partir das três eu começarei a ser feliz. Com o passar da hora, minha felicidade vai aumentar."



Autor: Frederico Moccia
Editora: Planeta

424 pág.




Essência que move muitos humanos, o amor, dizem frases universais, pode ser encontrado onde menos se espera. Penetrando no minado campo de relacionamentos, o escritor Federico Moccia dá vazão a uma história contemporânea sobre desencontros, entendimentos e esse sentimento único.

Alex tem 37 anos, é considerado um publicitário de sucesso que recentemente sofreu o abandono de sua esposa. Niki é uma garota de 17 anos cujas preocupações da vida adulta ainda não permanecem em sua cabeça. Um breve acidente de transito colocará a vida das duas personagens no mesmo caminho.

Ainda que tal trama seja conhecida do público, caindo em exageros, a narrativa de Moccia é fluída. O autor não poupa adjetivos para integrar o leitor das sensações que sentem suas personagens, chegando a, normalmente, elencar virgula após virgula diversas metáforas simbólicas.

Seu casal central tem bastante apelo e a diferença de mundo em que vivem dá amplo espaço para a narrativa. Mas peca quando, descontente de narrar apenas a história do casal, Moccia se aventura a apresentar histórias em paralelo, de maneira novelesca, freando a história central e que se encontraram no desenlace idílico que acompanha o tom sem pessimismo da história.

Em tempos onde a maioria dos romances são elevados por causarem uma desconstrução do amor, Desculpa Se Te Chamo de Amor trabalha de maneira oposta. Valendo-se da premissa de que, como afirmado acima, o amor move as pessoas e nasce de locais inimagináveis.

É composto para ser uma leitura leve, sem comprometimento, apresentando ao leitor uma agradável história, apenas.

Os maiores desconcertos da trama não vêm de seu autor e sim da Editora Planeta, responsável pelo lançamento do livro no Brasil. Mesmo quem não tem um contato mais formal com a língua portuguesa pode perceber pela leitura que há diversos momentos cujas passagens parecem demasiadamente confusas. Dando a sensação de que ou a tradução foi feita com apoio a um programa de tradução – que não entende duplos sentidos e nem frases subentendidas – ou tal tradutor fez sua versão às pressas.

Em rápida pesquisa durante a leitura do livro, foi apurada uma dessas falhas que, de maneira alguma, deveria ser passada despercebida pelo tradutor. Uma expressão que, na língua original, supre uma das palavras, mas que, em nossa língua, fica sem sentido aparente. Em toda ocorrência dessa expressão, surge o erro. O que nos faz questionar qual editora escora sua tradução em quem não compreende bem a língua ou, por ventura, precisa de um tradutor eletrônico para fundamentá-la.

Falhas com essa não são tão comuns em nosso mercado editorial, mas é necessário que as editoras fiquem atentas. Infelizmente nenhuma delas interromperá a venda de seu material por causa de erros gritantes, restando aos leitores o protesto, esperando uma possível correção na segunda edição, ou a perpetuação da grosseria que a voracidade de lançar livros pode gerar.


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